CORTESIA EM CRISE
Mamãe defendia regras sólidas de educação.
Em uma visita, se a dona da casa oferecesse café com bolo, não podia comer muito.
-Experimente só um pedacinho! avisava mamãe.
Havia regras excessivas. Mas hoje tenho a impressão de que boa parte das pessoas não aprendeu uma sequer.
É comum estar conversando quando toca o celular da outra pessoa.Ela inicia um longo papo.
Permaneço com cara de paisagem,enquanto a pessoa fala, fala, fala, fala!
Acho uma tremenda falta de gentileza.
Outra questão é a do horário.Muita gente acha normal atrasar.
Há algum tempo dei uma palestra em uma grande universidade.
Durante todo o tempo os alunos entravam e saíam, batiam a porta, faziam barulho.
Pensei:
-"Que falta de educação! E são universitários.
Na palestra seguinte, impus duas condições:atrasados não entravam e quem saísse não voltava.
Virei o "chato". Ótimo.
Melhor ser chato do que mandar flores e não receber nem um telefonema de agradecimento, como sempre me acontece.
Já cansei de enviar buquês, bombons, panetones e não merecer nem um alô. Sou tonto.
Imaginava alguma falha na entrega.
Perguntava se a pessoa havia recebido, para ouvir:-Ah, é.. obrigado.
No cotidiano, a falta de educação é a regra:as pessoas furam fila descaradamente, não respondem a um "boa tarde" quando me sento no avião a seu lado.
As boas maneiras têm sido esquecidas até no que se refere à vida financeira.Já emprestei dinheiro a amigos que não me pagam nem nunca mais fazem referência ao assunto. É o cúmulo!
Não é preciso ser formal, exagerado. Mas seria bem mais agradável ter de volta um pouco da antiga cortesia, e que as pessoas redescobrissem o valor da gentileza.
(Extraído do texto "Cortesia em Crise", de Walcyr Carrasco)
A espera
13 years ago

1 comment:
Eita, cada hora esse blog tá de um jeito... rsrsrsrsrs. Tá com problema de identidade? Rsrsrsrsrs
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